sem ter testemunha vou te acompanhar assim, grudada. entre carne e unha ou no calcanhar fazer morada escondidinha ali entre o maxilar e a arcada onde você sorri lá eu vou ficar ilhada no meio do nada faço a experiência: transformar seu corpo em minha querência
domingo, 1 de fevereiro de 2015
já não vivo
adormecida
assumo o que for
espera,
aflição
ou dor
mas cultivo
a carne
viva
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
me são dadas
me são compridas
mas cumpro-as,
ainda que em
encurtadas
medidas,
ainda que
me demore
uma vida,
cada missão
minha é quase
(e só quase)
falida
domingo, 7 de dezembro de 2014
não sei se ele gosta tanto das minhas costas e me diz porque vê o detalhe das três pintas justapostas na encosta entre a coluna e as covinhas dos quadris ou se tem vergonha de olhar na minha cara porque sabe que pra essa minha proposta só vai ter as suas respostas esquivadas e infantis
pensamento
pequeno
que vem
feroz
e me
estanca
o sono,
arranca
da veia
a calma
alheia de
viver em nós:
eu não me lembro da sua voz.
bate-e-volta
só o cego
mesmo
pra chamar de viagem
me revolta:
pra quê levo
o peso
do que ficou à margem?