segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

essa sujeira não passada a limpo
cada papel mal escrito e depois rabiscado
isso que foi maculado
fica a lápis e finalmente vejo escolha
o que eu lhe tenho é novíssimo em folha
sem ter testemunha
vou te acompanhar
assim, grudada.

entre carne e unha
ou no calcanhar
fazer morada 

escondidinha ali
entre o maxilar
e a arcada 

onde você sorri
lá eu vou ficar
ilhada

no meio do nada
faço a experiência:

transformar seu corpo 
em minha querência

domingo, 1 de fevereiro de 2015

já não vivo
adormecida

assumo o que for

espera, 
aflição 
ou dor

mas cultivo
a carne
viva

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

me são dadas
me são compridas
mas cumpro-as,
ainda que em
encurtadas
medidas,
ainda que
me demore
uma vida,
cada missão
minha é quase

(e só quase)

falida

domingo, 7 de dezembro de 2014

não sei se
ele gosta
tanto
das minhas
costas
e me diz

porque vê
o detalhe
das três 
pintas
justapostas
na encosta
entre a coluna
e as covinhas 
dos quadris

ou

se tem vergonha
de olhar na
minha cara
porque sabe
que pra essa
minha proposta
só vai ter as
suas respostas
esquivadas e
infantis
pensamento
pequeno
que vem
feroz
e me
estanca
o sono,
arranca
da veia
a calma
alheia de
viver em nós:

eu não me lembro da sua voz.
bate-e-volta
só o cego
mesmo
pra chamar de viagem

me revolta:
pra quê levo
o peso
do que ficou à margem?

R: (até) desgraça pouca é bagagem